quarta-feira, 24 de abril de 2013

SORTE OU TALENTO: O QUE É MAIS IMPORTANTE PARA VOCÊ DESLANCHAR NA CARREIRA


Muita gente considera esses dois fatores igualmente importantes para conseguir o que se quer. Veja o que diz a colunista Cynthia de Almeida.

Depois de sobreviver ao fim do mundo, nós temos pela frente um longo ano de 2013, repleto de previsões místicas ligadas ao número 13. O temor ao 13 – que, somado ao 20, dá 33, um assombroso resultado cabalístico, segundo dizem – é tão amplamente difundido que se tornou reconhecido como patologia com o nome bizarro de “triskaidekaphobia”. Não, você não está lendo a coluna errada. O tema sorte, que estará mais presente do que nunca na nossa vida durante este 2013, tem tudo a ver com a carreira. Muita gente considera esse um fator tão importante quanto o talento e o trabalho duro para conseguir aquilo que se quer. Será mesmo? Vale pensar um pouco sobre o que, de fato, as pessoas classificam como sorte no trabalho. Perguntei a alguns profissionais bem sucedidos o que eles achavam ter sido obra do acaso nas respectivas trajetórias profissionais.

A resposta mais comum foi: “Estar no lugar certo na hora certa”. Isso é sorte? Minha amiga Gloria, jornalista colombiana que é conceituada âncora de uma rede de televisão em seu país, gosta de dizer que sempre teve a ajuda da mãozinha mágica em seu destino. E me contou a seguinte história (que, para ela, era a prova cabal da sua boa estrela): para acompanhar o marido, que recebera uma proposta de trabalho em Nova York, Gloria deixou seu emprego e seguiu disposta a arriscar uma oportunidade em um canal de TV latino nos Estados Unidos. Para tanto, enviou seu vasto currículo e portfólio de vídeos a diversas emissoras e produtoras americanas. Não teve resposta alguma. Um dia, andando pela ruas de Nova York, deparou com uma gravação da rede onde mais ambicionava trabalhar e foi lá apresentar-se à produtora que comandava a equipe, como pretendente a uma vaga naquele canal.

A moça não lhe deu muita atenção mas, diante da sua persistência, entregou-lhe um cartão e pediu que ela mandasse seu currículo. Gloria o enviou junto com seus vídeos, assim como uma série de e-mails pedindo a oportunidade de uma entrevista cara a cara. Sua insistência valeu, finalmente, um horário agendado para uma conversa na sede da TV. E, no dia marcado, veio a “sorte” soprar a seu favor. Gloria desceu na estação errada do metrô, se perdeu e chegou atrasada para o compromisso. Logo na recepção, foi avisada de que não poderia mais ser recebida. Nesse exato momento, ela viu, saindo do elevador, o poderoso diretor de um programa jornalístico que acompanhava.

Não teve dúvida: abordou o figurão, colocou em suas mãos outra cópia de seu currículo e uma amostra de seu trabalho. Sem deixar o homem sequer pensar no que estava acontecendo, contou quem era, o que queria, blá-blá-blá. Resultado: bem impressionado ou apenas aturdido, o tal diretor a convocou para uma entrevista, seguida de um teste, no qual ela se saiu muito bem. “Viu só que sorte?”, encerrou Gloria. “Se eu não tivesse perdido a estação, não teria conseguido falar com o diretor etc. etc.” Então tá. Deixa ela achar que é sorte o fato de esbanjar coragem para arriscar uma nova vida em outro país, determinação para fazer contatos e atenção e informação para reconhecer quem é quem na empresa que escolheu. Ainda ter tido atitude e rapidez para não perder a oportunidade de tentar uma abordagem direta. Ah, isso tudo sem falar em talento e experiência para se dar bem no teste. Será mesmo sorte? Então boa sorte para todas nós!

Cynthia de Almeida
Artigo extraído da Revista Cláudia